O setor de viagens tem um problema de pagamentos. É hora de resolvê-lo.
O impacto financeiro da pandemia da COVID-19 foi enorme para o setor de viagens. Encontrar uma nova maneira de trabalhar com seus adquirentes será fundamental para a recuperação.
O setor de viagens e o setor de pagamentos nunca tiveram uma relação de trabalho simples. Há vários exemplos de fracassos no setor de viagens, como o colapso da Thomas Cook e da Monarch Airlines, que terminaram com a operadora de viagens e seu parceiro de pagamentos acusando o outro de ser a fonte do fracasso. Isso acontece quando o adquirente retém fundos para cobrir o custo dos estornos que ele será responsável por reembolsar aos clientes se a operadora sair do mercado. Tomar essa precaução é, obviamente, compreensível, mas a opinião da empresa de viagens é que essa retenção de fluxo de caixa em um momento crítico cria uma enorme pressão para ela e, na verdade, é a gota d'água que desencadeia o próprio colapso contra o qual o adquirente está tentando se proteger.
E, é claro, a pandemia trouxe essa tensão no relacionamento para um foco ainda mais nítido. As viagens e o turismo globais perderam quase US$ 4,5 trilhões em 2020. Para contextualizar, enquanto o produto interno bruto mundial contraiu 3,7%, a contribuição das viagens para a economia global foi reduzida em 49,1%.
E não foram apenas os desafios financeiros que o setor de viagens sofreu desde o surto da COVID-19; também houve problemas operacionais a serem enfrentados, pois eles foram forçados a processar muitos milhões de cancelamentos de reservas. Para piorar a situação, alguns adquirentes reagiram às condições adversas do mercado saindo completamente do setor ou redefinindo os termos de negócios com seus clientes de viagens. Isso colocou ainda mais pressão sobre o relacionamento entre as duas partes em uma situação em que a empresa de viagens tem opções, pois há menos parceiros de pagamentos que trabalharão com ela.
O cerne da questão: os pagamentos de entregas futuras são de alto risco
Grande parte do atrito que pode ocorrer entre o setor de viagens e os adquirentes decorre do fato de que as viagens são consideradas uma vertical de alto risco pelo setor de pagamentos, e isso já era verdade bem antes da pandemia. Isso se aplica a todos os setores em que ocorrem longos períodos de tempo entre o Pagamento do consumidor e a data em que ele recebe os bens ou serviços. No setor de viagens, esse período é normalmente de 60 a 90 dias.
Se os produtos ou serviços não forem entregues por qualquer motivo, seja por cancelamento, circunstâncias imprevistas, como a COVID-19, ou se a empresa deixar de operar, é o adquirente que é responsável por reembolsar o cliente. Quando os altos valores de Transação normalmente vistos em viagens são considerados na equação, os adquirentes podem se ver expostos a dezenas de milhões de libras em riscos para um único negócio de viagens. Muitos simplesmente não têm apetite para esse nível de risco.
Uma nova solução: a proteção aborda os problemas criados pelos holdbacks
Como já discutimos, o risco geralmente é gerenciado pelo adquirente por meio da retenção de dinheiro como garantia. Mas há várias desvantagens que fazem com que essa solução não seja a ideal para o setor de viagens. A drenagem de liquidez é óbvia, mas, além disso, muitas vezes é imprevisível a quantidade que os adquirentes reterão para compensar o risco flutuante, o que torna a tomada de decisões e a previsão extremamente difíceis. Os fundos retidos também não podem ser apresentados no balanço patrimonial de uma empresa.
Portanto, não é de se surpreender que o setor de viagens esteja tentando encontrar uma nova maneira de trabalhar com as adquirentes à medida que elas traçam estratégias de recuperação e crescimento após a pandemia. E as empresas de pagamentos progressivas, incluindo a Paysafe, também estão procurando novas soluções para trabalhar de forma mais harmoniosa com o setor, especificamente substituindo a garantia em dinheiro por um mecanismo baseado em confiança chamado salvaguarda.
Com a salvaguarda, a empresa de viagens ainda apresenta uma reserva em dinheiro a um terceiro. Mas, em vez de serem reembolsados em grandes quantias, muitas vezes a critério do adquirente, os fundos são liberados de forma constante e planejada, quando ou pouco antes da viagem.
Essa nova maneira de trabalhar aborda as questões de liquidez e transparência com as quais o setor de viagens tem expressado consistentemente suas preocupações. Os fundos mantidos em fideicomisso também podem permanecer no balanço patrimonial da empresa.
Trabalhando para um futuro melhor
A garantia em dinheiro foi a solução ideal para gerenciar a exposição ao risco dos adquirentes no setor de viagens durante anos. Mas esse sistema não é mais adequado à finalidade. A salvaguarda logo se tornará o processo de mitigação mais comum para comerciantes e adquirentes de viagens. Isso permitirá que as companhias aéreas e o restante do setor de viagens evitem a imobilização de fundos essenciais que seriam mais bem gastos na administração e expansão de grandes empresas, bem como na atração de investimentos por meio de balanços mais saudáveis.
O mais recente whitepaper da Paysafe Protegendo o futuro das viagens: Por que é hora de repensar os pagamentos e a liquidez no setor de viagens está disponível para download agora.
Este artigo foi publicado originalmente na Finance Derivative.
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